F2

Justiça italiana obriga Ferrucci a pagar R$ 2,1 milhões à Trident. Equipe cogita processo “por danos sofridos”

O Tribunal de Milão emitiu uma ordem de pagamento, em nome da equipe Trident Motorsport, de € 502 mil (ou R$ 2,11 milhões) a Santino Ferrucci e seu pai e fiador, Michael Ferrucci, por não cumprir com os termos do contrato. A escuderia, contudo, almeja obter um valor ainda maior
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Santino Ferrucci (Foto: IndyCar)
Santino Ferrucci, protagonista de um dos episódios mais polêmicos do esporte a motor em 2018, viu seu nome parar na justiça italiana. O piloto norte-americano, juntamente com seu pai e fiador, Michael Ferrucci, foram ordenados a pagar à equipe Trident, defendida pelo jovem na F2, € 502 mil, ou, na cotação atual, R$ 2,11 milhões. O valor é referente à falta de pagamento dos valores estipulados no contrato, que foi rompido dias após o jovem bater de propósito no carro do seu então companheiro de equipe, Arjun Maini, no fim da etapa de Silverstone.
 
Ferrucci ainda cometeu outro erro grave quando pilotou seu carro, do pit-lane ao grid de largada, com luva em apenas uma das mãos e o telefone celular na outra. A escuderia italiana, chefiada por Maurizio Salvadori, rescindiu o contrato e alegou falta de pagamento como motivo, assim como todas as faltas cometidas pelo piloto em Silverstone.
 
A escuderia italiana alega que, mesmo Ferrucci justificando a falta de dinheiro dos patrocinadores para honrar seus compromissos financeiros, o piloto correu pela Dale Coyne no lugar de Pietro Fittipaldi na rodada dupla da Indy em Detroit, no mesmo mês de julho, antes da etapa de Silverstone da F2. O norte-americano de 20 anos voltou à categoria para a disputa das provas em Portland e Sonoma, novamente pela Dale Coyne. Nesta última, terminou em 11º lugar.
Santino Ferrucci e seu pai vão ter de pagar R$ 2,1 milhões à Trident (Foto: IndyCar)
À época, a Trident emitiu um comunicado à imprensa comunicando a Ferrucci e seu pai “a rescisão do contrato. A decisão foi motivada pelos eventos — que agora são de domínio público — ocorridos em Silverstone, assim como uma grave violação das obrigações de pagamento do piloto”.
 
“Desde o início do campeonato, o piloto justificou a inadimplência de seus pagamentos com o suposto fracasso dos seus patrocinadores em cumprir suas obrigações. Parece estranho que, apesar de tais problemas, Santino Ferrucci teve os recursos necessários para disputar a corrida da Indy em Detroit, entre 1 e 3 de julho, enquanto, ao mesmo tempo, não estava honrando seu acordo com a Trident Motorsport”, explicou.
 
“A Trident deu uma procuração aos seus advogados para ativar todos os procedimentos necessários para recuperar integralmente seus créditos em relação ao piloto”, acrescentou a equipe.
 
Menos de três meses depois, o Tribunal de Milão emitiu uma ordem de pagamento a Santino e Michael Ferrucci no valor de R$ 2,1 milhões para ressarcir a Trident após a falta de pagamento dos norte-americanos. A notícia foi divulgada pela própria escuderia italiana.
 
“A Trident Motorsport informa ter obtido, pelo Tribunal de Milão, uma ordem de pagamento no valor de € 502 mil, acrescidos de juros e custas judiciais, contra Santino Ferrucci e seu fiador, uma empresa norte-americana representada por Michael Ferrucci, em razão do fato de o piloto não pagar os valores devidos nos termos do contrato”, diz a nota.
 
Mas o time ainda pretende além nas esferas judiciais para ser ressarcida por danos causados à imagem da Trident depois de todas as polêmicas protagonizadas por Ferrucci em Silverstone, que culminaram com sua demissão da equipe e seu banimento da F2. “A Trident Motorsport confirma sua intenção de prosseguir com qualquer ação legal para obter uma indenização, por todos os danos sofridos, bem acima do valor obtido até agora, como medida provisória, pelo tribunal”.
 
Ainda assim, Ferrucci, nomeado como piloto de desenvolvimento da Haas, teve mantido seu vínculo com o time de Kannapolis na F1.