F1

Com novo tom de vermelho, Ferrari apresenta SF90 para derrubar Mercedes na temporada 2019 da F1

A SF90 foi apresentada ao mundo nesta sexta-feira com um novo visual. O tradicional vermelho apareceu em um novo tom, rompendo com o visto em temporadas anteriores. A escuderia, com Sebastian Vettel e agora o jovem Charles Leclerc, também tenta romper com os ‘quases’ na luta contra a Mercedes
Grande Prêmio / VITOR FAZIO, de Berlim / FERNANDO SILVA, de Sumaré

A Ferrari tem um novo carro para a temporada 2019 da Fórmula 1. A SF90, modelo lançado nesta sexta-feira (15), nasce com a missão grandiosa de mudar o panorama da F1 atual e derrubar a pentacampeã Mercedes. O que também muda é o visual: confirmando expectativas, a equipe italiana abriu mão do vermelho utilizado em anos anteriores para correr com um novo tom, mais fosco, ao longo da temporada. O modelo substituiu o branco da inscrição do seu principal patrocinador, a Mission Winnow, marca da Philip Morris, pelo preto, ao menos na pintura do novo carro.

O novo nome também é uma uma homenagem ao marco histórico do nascimento da Ferrari, oficialmente em 16 de novembro de 1929. Assim, fica o SF de Scuderia Ferrari, além do 90, alusivo ao aniversário de nove décadas da principal equipe de F1 da história.
 
A Ferrari tem duas mudanças das mais importantes para 2019. Uma dentro das pistas: Charles Leclerc toma a vaga de Kimi Räikkönen, agora alocado na Sauber. Outra do lado de fora das pistas: Mattia Binotto vira chefe de equipe, ocupando o espaço ocupado por Maurizio Arrivabene até dezembro.
A nova Ferrari SF90, apresentada nesta sexta-feira (Foto: Ferrari)
Leclerc chega com muita expectativa e, de certa forma, incerteza. O monegasco deixou impressão positiva na Sauber, onde levou um carro mediano aos pontos com grande regularidade. A esperança é de resultados acima dos apresentados por Räikkönen em anos anteriores, mas com um porém: é possível tirar Sebastian Vettel, até aqui tranquilo na condição de primeiro piloto, da zona de conforto?
 
Na parte administrativa, a Ferrari começou a cortar cabeças. O trabalho de Arrivabene não foi aprovado pela alta cúpula em Maranello, resultando em uma demissão até certo ponto inesperada. O dirigente foi responsável por reerguer a escuderia entre 2015 e 2017, mas teve mais dificuldades do que se esperava na hora de brigar por títulos contra a Mercedes.

 

Tanto em 2017 quanto em 2018, a equipe italiana perdeu muito terreno no último terço do calendário, ajudando a entregar o ouro para Lewis Hamilton. Com Binotto, a aposta é em uma escuderia que recupere parte do fôlego perdido nos últimos tempos.


O penta vem aí?

Vettel tem mais uma chance para levar a Ferrari finalmente ao título e, de quebra, tentar buscar o pentacampeonato. Desde que chegou a Maranello, em 2015, o alemão ficou perto da taça duas vezes, nas duas últimas temporadas, mas esbarrou na maior eficiência do duo Lewis Hamilton/Mercedes. A expectativa é que em 2019, pressionado pela jovialidade de Charles Leclerc, o alemão ganhe um novo impulso para retomar ao Olimpo da F1.

“Todos estamos empolgados. Pude ver o carro no fim do ano passado, mas depois você vê como eles vão encaixando todas as peças... e hoje é o dia em que finalmente você vê tudo no lugar. Uma pena não estar com a roupa certa para já entrar no carro, mas entrarei logo. É muito empolgante. É incrível ver como tudo se encaixa. Estou muito animado”, comentou Seb, que ressaltou os tempos de mudança com Binotto e Leclerc. Contudo, Vettel ressaltou que os dois já têm pleno conhecimento de como funciona a filosofia em Maranello.
Lançamento do Ferrari SF90, carro com o qual Vettel va itentar quebrar a hegemonia da Mercedes (Foto: Reprodução)
“Eles são novos nos seus postos, mas estão aqui há muito tempo. Mattia está na equipe há mais tempo do que todos os que estão neste auditório. Trabalhamos juntos nos últimos cinco anos e agora vai ser uma nova forma de trabalhar. Estou ansioso”, disse o tetracampeão.
 
“Charles pilotou durante toda sua vida. Unir forças à Ferrari é um grande passo. Estou ansioso para que chegue logo esta temporada. Acho que a equipe está no rumo certo. Com sorte, vamos continuar melhorando”, complementou.

 

A nova joia de Maranello

Charles Leclerc chega à Ferrari com o status de uma grande estrela para o futuro. O jovem monegasco brilhou no seu ano de estreia com a Sauber, a ponto de fazer a cúpula do time italiano a rever uma filosofia histórica, de dar sempre mais espaço à experiência em detrimento da juventude. Grande aposta do falecido presidente Sergio Marchionne, Leclerc foi promovido ao posto de titular em substituição ao veterano Räikkönen, que hoje é o primeiro piloto da Alfa Romeo.

“Estou extremamente empolgado por começar esta nova aventura. Sonho com isso desde criança, sempre quis estar com o carro vermelho. Também faço parte da Academia de Pilotos da Ferrari há alguns anos. Isso me ajudou enormemente a me desenvolver como piloto, com o objetivo de um dia ter essa vaga. E agora está acontecendo. É um dia de enorme orgulho para mim hoje”, destacou.


O novo chefão

Ítalo-suíço, Mattia Binotto foi promovido ao cargo de chefe de equipe depois de atuar nos últimos anos como diretor-técnico. A missão do novo comandante de Maranello é das mais difíceis: superar toda a carga de pressão da Ferrari para quebrar a hegemonia da Mercedes e liderar o time ao título mundial, o que não acontece desde 2007, com Kimi Räikkönen.

Para chegar lá, Binotto explicou que a Ferrari teve de adotar soluções radicais na nova SF90. “Em 2018 conseguimos boas conquistas. Esse carro é um desenvolvimento do ano passado, não é uma revolução. Nós tentamos elevar o nível, ser o mais radical possível", comentou.

"Há algumas mudanças, como a asa dianteira, por conta do regulamento. Se você olhar nos detalhes, tentamos trabalhar duro, ser inovadores. Se você olhar para a carroceria, na parte de trás, é bem fina. Graças a todo o trabalho que fizemos. Muito esforço foi feito. Gostamos”, destacou Binotto.